quarta-feira, 14 de agosto de 2013

10 dicas para ajudar no processamento sensorial em crianças com seletividade e recusa alimentar

Ana Elizabeth Prado
Crefito 3/1670 TO

Estas dicas servem para qualquer criança que apresente sinais de Disfunção de Processamento Sensorial.

1-"Alimente o corpo" .
-valorize a experimentação do corpo todo integrado aos sentidos vestibular, proprioceptivo, visual e auditivo de maneira criteriosa. Isto faz parte do programa da terapia de integração sensorial e deve ser orientado para a família seguir a "dieta sensorial" necessária para cada criança.


-ofereça todo dia brincadeiras sensoriais que convidem a criança a explorar seu corpo e o ambiente de várias maneiras para conhecer e ampliar seu repertório sensorial.

2-"Mexa com as mãos". Um caminho para chegar à boca
 Favoreça momentos lúdicos prazerosos de exploração tátil com diversos materiais, comestíveis ou não.
- massinha, argila, tinta. Papéis e tecidos com texturas diferentes que podem estar no ambiente e revestindo objetos que a criança usa no cotidiano



- farinhas, grãos, sementes, gelatina, mingaus coloridos, frutas.  Mexer em alimentos secos e molhados, sólidos e pastosos, podendo fazer "melecas", de acordo com as possibilidades da criança. Mas tenha por perto um pano se ela quiser se limpar a qualquer momento.




- faça brincadeiras de transformação junto com a criança: uma farinha que vira mingau. Uma aveia que vira um biscoito.
- brinque de achar brinquedos dentro de uma caixa com grãos. Use meias para brincar para fazer fantoches.


- brinque de faz de conta simulando alimentar bonecos, fazendo comidinhas sensoriais.

3-"Alimente os olhos".
-Muitas crianças com dificuldade na sensibilidade tátil começam a explorar os alimentos pelos olhos. Podendo ser uma forma de acomodação ao estímulo tátil.


-crie bons hábitos alimentares com a família que a criança possa ver o modelo das outras pessoas.

-mostre a preparação dos alimentos. De qual fruta se faz o suco?



-faça combinações divertidas dos alimentos para deixar a refeição convidativa. Para alguns pode ser interessante os alimentos de cores contrastantes. Pesquise e experimente.


4- "Respeite o tempo"
-sempre comece pelo que a criança gosta e consegue suportar. Se no começo ela só conseguir olhar e não tocar, respeite.
-ou se for preciso deixe comer os alimentos separados e em quantidade menor.
-para alguns é necessário um tempo maior e um certo modo para conseguir processar as informações.
-valorize sempre os mínimos progressos. Eles podem aumentar!

5- "Prepare a boca"
-antes das refeições, se for possível, estimule brincadeiras orais com cantigas e expressões faciais diferentes


-ofereça bolinhas de sabão, apitos ou outros brinquedos de sopro
-se a criança permitir faça toques com pressão na região oral
-use vibradores orais em contexto de brincadeira.

6- " Prepare para as mudanças"
-coloque algum elemento novo naquela brincadeira conhecida, de acordo com o nível e faixa etária da criança. Quanto mais ela aprender a se adaptar às diferenças mais terá recursos internos para amadurecer a auto-regulação.

7- " Prepare o ambiente"
-a partir do perfil sensorial da criança faça as acomodações necessárias ao ambiente para evitar momentos de desorganização.
-apresente cartelas visuais preparando a sequência da rotina. Elas ajudam a muitas crianças a preverem o que vai acontecer e acomodar uma possível ansiedade.
-deixe o ambiente tranquilo. Preste atenção ao que a criança não gosta além da comida. Por exemplo, para crianças que se incomodam com barulho alto não ligue o liquidificador no momento da refeição.

8- " Ritualize"
-deixe sempre definido a hora, duração e local da refeição. Que seja de preferência sentado à mesa, com os pés apoiados. Evite ligar a TV ou aparelho eletrônico.
-coloque regras claras. Principalmente quanto ao item de qualidade alimentar. Procure não oferecer líquido antes da refeição e nem guloseimas substituindo a refeição para não interferir no apetite.

9- "Valorize a independência "
-incentive a participação ativa da criança mesmo que seja possível só em curtos períodos. Tente favorecer a imagem e sensação do movimento de alimentar-se sozinha, fazendo junto com ela e organizando a ação.



10- " Prepare-se".
Não é fácil para algumas famílias. Busque em você uma atitude de auto conhecimento e aceitação do que for possível. Ao mesmo tempo alimente o vigor para continuar os desafios. Reserve um tempo para cuidar de você também.
Lembre-se: cada momento lúdico e de prazer é um passo para a autonomia, para qualquer um, no nível que puder ser!

21 comentários:

  1. Adorei. Está de parabéns! Excelente conteúdo!

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    1. Obrigada, Mariluce! Espero que sirva para muitos.
      Abraços

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  2. Muito legal.. Gostei bastante.. parabéns.

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  3. Meu filho é bastante seletivo. Muito boa a matéria.

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  4. Super, super Beth.
    Sempre um prazer imenso ler seus posts tão objetivos e efetivos!
    Gi

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    1. Obrigada, querida. Bom poder divulgar a promoção da saúde!!!

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    2. Obrigada, querida. Bom poder divulgar a promoção da saúde!!!

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  5. Parabéns, muito bom, didático e esclarecedor,

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  6. Minha filha tem 3 anos é autista, ela recusa quase todos os alimentos, exceto vitamina de banana, abacate e suco de uva com leite e ainda come uma pipoquinha. Não sei o que fazer para ela comer, talvez essas dicas sejam uma saída. Obrigada por compratilhar

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    1. Olá, Jujuba. É comum crianças dentro do TEA apresentarem seletividade alimentar. Procure conversar com a equipe que trabalha com ela sobre uma avaliação de Integração Sensorial com uma terapeuta ocupacional.
      Boa sorte.

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  7. Olá Ana
    Amei seu blog, muito me ajudou a entender um paciente que chegou a pouco tempo com histórico de deficiência auditiva, cada vez mais percebo traços autístico! e ler essa publicação me deu ainda mais direção uma vez que, esse paciente apresenta baixo peso e uma alimentação muito restrita.
    Vou pegar algumas de suas dicas e adaptá-las para meu atendimento com esse paciente.
    Amei essa troca .
    Parabens
    Bjos mari

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    1. Que bom, Mari. Que ele ganhe com sua criatividade!

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  8. Com o trabalho é orientação da T.O. da minha filha desde 1 ano e 10 meses (hoje tem 7) que tem autismo, trabalhamos com cada uma das sugestões acima e posso comprovar que são eficazes. Minha filha hoje é outra criança, sem tantas crises choro por causa das dificuldades sensoriais que englobam tudo (vestir, brincar, comer). Requer realmente perseverança paciência, o trabalho de uma profissional dedicada e pais que sigam as orientações em casa. Maravilhoso ver tudo bem explicado aqui e fácil de entender. Parabéns!

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    1. Que bom, Carol. Os posts servem para isso. Aproveitem!

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  9. Parabéns pelo blog!! Muito importante a estimulação sensorial para trabalhar com recusa alimentar. A linguagem usada é bastante acessível!! Adorei

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  10. Bom dia dra gostaria de um contato seu para agendar uma consulta de avaliacao para o meu filho, preciso de ajuda pelo que tenho lido a respeito ele se encaixa em 100% nesse diagnostico. meu contato simone.fellegger@gmail.com

    Att. simone fellegger

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  11. Olá, Boa noite!
    Me chamo Jamile e tenho um bebê prematuro extremo e tem PC. Tem1 e 2 meses de idade cronológica e 11 e 9 dias corrigido.
    Ele chora muito quando vai comer, se irrita, não abre a boca. Comer pra ele é uma tortura. Fico desesperada, pois não tem nada que ele goste.
    Começou as sessões de fonoterapia para aprender a deglutir e parar os engasgos, hoje já faz a deglutição direitinho tem menos engasgos, mas continua rejeitando os alimentos. Já tentei de tudo...sabores diferente, texturas, mas nada o agrada. Ele estar a baixo do peso o que vem preocupando a pediatra.
    Gostaria de um conselho, pois das 10 dicas sitadas a maioria não tem como fazer por ele ser pequeno.
    Fico esgotada, pois dar comida a ele é um desesgaste físico e psicológico.
    Ficarei eternamente grata pelas dicas.

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    1. Olá, Jamile. Essas orientações são do ponto de vista mais amplo e preventivo. Pelo que você relatou seu filho precisa de atendimento multidisciplinar. Seria interessante ele passar por avaliação com terapeuta ocupacional com formação em Integração Sensorial e Distúrbios alimentares que poderia se fazer um trabalho em parceria junto com a fono. Além disso, muitas vezes as questões de processamento sensorial estão além do território da boca e pode ser necessários investigar de maneira global. Espero ter lhe ajudado

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